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Importações reduzem sensibilidade à procura global
Data: 15/09/2005
Fonte: Gabinete de Estudos da AEP
Propomo-nos, neste artigo, retomar a análise dos dados divulgados na semana passada pelo INE para as contas nacionais trimestrais, concedendo especial atenção às variações em termos trimestrais (ou ‘em cadeia’) dos principais agregados de despesa. É conhecida a importância da análise das variações em cadeia nas fases de inversão do ciclo económico, como a que vivemos, sendo que tais variações permitem também expurgar eventuais efeitos-base, como os que resultam da comparação do segundo trimestre de 2005 com o trimestre homólogo de 2004 (período do Euro-2004).

De acordo com os dados para o segundo trimestre de 2005, ocorreu um crescimento em cadeia do PIB de 1%, assente numa expansão das exportações (2,5%), do consumo das famílias (1,3%) e da formação bruta de capital fixo (0,3%). Todavia, a subida destas duas últimas rubricas decorreu sobretudo da antecipação de despesa em bens duradouros, em reacção ao aumento do IVA anunciado para Julho. Este acréscimo de despesa, aparentemente visto como temporário pelas empresas, foi satisfeito em boa parte com stocks, verificando-se, em contraste, uma taxa de crescimento das importações abaixo da taxa da procura global (procura interna total mais exportações).
Os dados parecem não deixar dúvidas quanto ao cariz transitório do comportamento das importações no segundo trimestre de 2005.

Todavia, a análise da evolução das importações e da procura global num horizonte temporal mais longo revela o seguinte: a correlação contemporânea entre importações e procura global é tipicamente muito elevada (superior a 85%, no período 1995-2005), embora com algumas discrepâncias em períodos limitados, como por exemplo em 1996-1997 e em 2004; no cômputo de 1995-2005, as importações variaram em média 1,6% perante uma variação da procura global em 1%, ou seja a elasticidade das importações face à procura global foi em média de 1,6; porém, analisando por sub-períodos, verificou-se uma progressiva redução dos valores médios, com a elasticidade a cair de 2,6 em 1995-1996, para 1,8 em 1997-2000, 1,3 em 2001-2003 e apenas 0,6 em 2004-2005; a par da descida dos valores médios da elasticidade das importações, observou-se, a partir de 2001, um aumento da sua volatilidade trimestral.

Em conclusão, o actual período de recuperação económica está a revelar-se mais anémico que o período homólogo do anterior ciclo económico, mas somente devido a um andamento também mais modesto da procura global (em 2003, devido à procura interna e, em 2004, devido às exportações), e não como reflexo de um crescimento da sensibilidade das importações à procura global. Os dados apontam ainda para que a redução da elasticidade das importações no período 2004-2005 se tenha devido a um recuo do conteúdo importado das nossas exportações.