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Exportações de mobiliário aumentaram para 865 milhões de euros em 2005
Data: 14/09/2006
Autor: Rui Neves
Jornal de Negócios
Exportações de mobiliário aumentaram para 865 milhões de euros em 2005
 Vendas no exterior crescem 100 milhões de euros e valem 70% da produção.

Se as exportações devem ser o motor de arranque da economia portuguesa, então o sector de mobiliário tem cumprido com distinção a parte que lhe toca. De acordo com dados provisórios do INE, as vendas de cadeiras, móveis, mobiliário hospitalar e colchões nos mercados internacionais atingiram os 865 milhões de euros em 2005, mais 100 milhões de euros do que no ano anterior, o que traduz um crescimento da ordem dos 13%.

Uma "performance" tanto mais assinalável quanto a produção se manteve nas 1,265 mil milhões de euros, reforçando a vocação exportadora do sector para níveis próximos dos 70%. Por mercados, a França (37%) e a Espanha (35%) continuam a representar mais de dois terços das vendas nacionais de mobiliário no exterior. O caso espanhol assume nesta evolução do sector um papel preponderante, porquanto em apenas três anos as exportações quase triplicaram, de 133 milhões de euros em 2002 para mais de 300 milhões de euros no ano passado.

O toque a reunir do sector surgiu em 2001, quando se percebeu que o futuro desta actividade não passava pelo recessivo mercado português. Nesse ano, as vendas no exterior rondaram os 429 milhões de euros, para uma produção pouco inferior (1,248 mil milhões de euros) à actual. Sobretudo através da participação em feiras internacionais, a nova estratégia depressa obteve resultados: as exportações aumentaram mais de 200 milhões de euros de 2002 para 2003 e cerca de 114 milhões de euros no ano seguinte.

Ao nível da balança comercial regista-se um saldo francamente positivo, próximo dos 400 milhões de euros. As importações de mobiliário em 2005 atingiram os 470 milhões de euros, reais 48 milhões de euros do que no ano anterior. Em 2000, em termos relativos, exportava-se pouco (340 milhões de euros) e importava-se muito (280 milhões de euros).

Das cerca de quatro mil empresas portuguesas de mobiliário, que empregam um total da ordem das 60 mil pessoas, 120 estavam em 2005 identificadas como exportadoras, contra 116 em 2004.

Para fomentar ainda mais as vendas do sector, concretamente por via das exportações, a Associação Portuguesa dos Industriais de Mobiliário e Afins (APIMA) assinou ontem um protocolo com a Exponor que visa a colaboração entre as duas partes na realização da feira de mobiliário, iluminação e artigos de casa para exportação, a Export Home, cuja próxima edição decorre entre 28 de Fevereiro e 4 de Março de 2007.~


"Carinho" para "heróis" portugueses

"É muito bom o investimento estrangeiro, mas custa-me ver os empresários estrangeiros serem tratados com um carinho diferente em relação à forma como são tratados os empresários portugueses", queixou-se ontem Couto dos Santos, vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), durante a cerimónia de assinatura de um acordo de colaboração com a APIMA. Classificou os empresários nacionais de "heróis", por "conseguirem competir no mercado global com as empresas europeias, sem que tenham o ambiente empresarial de um inglês ou alemão". Apelou então à cooperação de todos eles, em particular no quadro do movimento associativo do Norte do País, que deve "confiar em si próprio esem contarcom o apoio de ninguém [leia-se Estado]".

 
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