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Associações industriais desconfiam das estatísticas do INE
Data: 09/12/2006
Autor: Margarida Cardoso
Expresso
Comércio externo
Associações industriais desconfiam das estatísticas do INE

 Afinal quanto é que exportamos realmente?, perguntam industriais do calçado e mobiliário depois de comparar números

As associações industriais do calçado e do mobiliário vêem “com desconfiança” os dados do INE e preferem usar o Eurostat e números e estatísticas de outros países como barómetro do andamento das exportações.

A Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado (APICCAPS) despertou para o problema na Alemanha, durante uma feira de calçado, quando recebeu parabéns pelo “excelente desempenho” da indústria nacional no mercado germânico.

A direcção percebeu, então, a discrepância estatística: enquanto o INE referia um crescimento de 9% nas vendas à Alemanha no primeiro semestre (de €118 milhões para €128 milhões), o Eurostat revelava que as compras germânicas de calçado português tinham crescido 59% (de €76 para €121 milhões).

Analisados os cinco maiores mercados (França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Espanha), representativos de 81% das exportações, INE e Eurostat permitiam conclusões diferentes. No primeiro caso as vendas de sapatos ao exterior caíram 4%, no segundo subiram 3%.

Obrigada a escolher entre números, a APICCAPS considera o Eurostat “mais fiável, por estar de acordo com o discurso e o sentimento dos empresários do sector e com os dados do boletim de conjuntura da indústria do calçado, da Universidade Católica”. “Não percebemos como é que o número de sapatos que vendemos à Alemanha e a outros países é tão diferente do que eles compram à indústria nacional”, diz a direcção.

Contactado pelo EXPRESSO, o INE admite assimetrias nos números. “As razões para as diferenças são variadas e vão desde os diferentes limiares de declaração por país, comércio triangular e outros”, explica o Instituto, salientando que os seus dados resultam das declarações das próprias empresas.

Mas o problema da Associação Portuguesa dos Industriais de Mobiliário (APIMA) é diferente. A direcção denuncia “margens de erro demasiado grandes” e o seu secretário-geral, Rui Ramos, queixa-se de “constrangimentos criados” à análise do comportamento do sector.

Na APIMA, “as campainhas de alarme” começaram a soar em Setembro, quando “os números do INE transformaram as previsões de um crescimento nas exportações superior a 10% numa queda de 4,5%”. Entre os primeiros dados relativos ao exercício de 2005 e os números divulgados em Agosto, o sector perdeu mais de €100 milhões, com as exportações a caírem de €865 milhões para €757 milhões, diz.

No entanto, o INE garante que os números obtidos pela APIMA não são os seus, ou contabilizam itens diferentes no mobiliário. “Tal diferença não existe nem nunca existiu nos dados divulgados pelo INE, ou nos que foram fornecidos aquela associação nos pedidos que nos dirigiu directamente”, afirma o Instituto.

A verdade é que no mapa das exportações do sector enviado ao EXPRESSO pelo Instituto Nacional de Estatística os valores são diferentes dos divulgados pela APIMA. O INE refere exportações de €847 milhões em 2004 e €822 milhões em 2005 (menos 2,9%), tendo corrigido apenas em quatro milhões de euros os números do ano passado.

 
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