Moscovo e a Praça Vermelha preparam-se para acolher, de 15 a 19 de deste mês, a Feira Internacional do Móvel, este ano com a presença de empresas portuguesas. São cerca de uma dezena as marcas nacionais que apostam no certame russo para conquistar mercado além fronteiras.
A participação portuguesa inscreve-se no plano de internacionalização liderado pela APIMA - Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins - que integrou recentemente a comitiva oficial do ministro da Economia e Inovação àquele país do leste europeu. A Associação aproveitou a ocasião para sensibilizar o governante para as di ficuldades, nomeadamente de ordem logística e burocrática, com que as empresas portuguesas se debatem para colocar produtos na Rússia.
"Dinamizar as relações comerciais entre Portugal e a Rússia no sector do mobiliário é um primeiro objectivo desta participação colectiva" afirma o secretário-geral da APIMA, Rui Ramos, que espera que as exportações para aquele país possam crescer "na ordem dos 20 a 25 por cento nos próximos anos". Numa altura em que o mercado interno está quase estagnado, o aumento das exportações pode significar a sobrevivência da indústria nacional de mobiliário.
A escolha de Moscovo como palco de mais uma participação colectiva promovida pela Associação surgiu naturalmente. Rui Ramos afirma que "a APIMA realizou missões empresariais para aquilatar da receptividade do mercado russo aos móveis portugueses, além de ter constatado, em várias feiras internacionais que havia apetência daquele país para um mobiliário de qualidade e de gama média ou média alta como o português". Talvez por isso as empresas portuguesas tenham sido localizadas no Maneje, o pavilhão nobre do certame, reservado para a elite mundial do mobiliário.
Longe de quaisquer complexos, a indústria portuguesa afirma-se pois como uma das melhores do Mundo e começa a ser reconhecida internacionalmente. No ano passado, pela primeira vez, Portugal exportou mais de metade (cerca de 52 por cento) dos móveis que fabricou e a balança comercial do sector é favorável em 320 milhões de euros.
"É importante realçar o papel que a APIMA e o ICEP têm tido no aumento das exportações de mobiliário ,resultado do alargamento do programa de participações em feiras estrangeiras", diz Rui Ramos, que lembra que Madrid (em dois certames distintos), Valência, Milão, Paris, Birmingham e Dubai receberam empresas portuguesas nas respectivas feiras. Esse facto pode, por si só, explicar o crescimento das exportações, que se cifrou em 15,7 por cento no ano passado relativamente ao ano anterior.
No entanto, nem tudo tem sido fácil para Portugal: segundo o dirigente associativo, "até há pouco tempo, o nosso país debatia-se com problemas decorrentes da falta de imagem internacional do nosso mobiliário, visto como de boa qualidade, é certo, mas sem grande valor acrescentado, nomeadamente em termos de Design". Hoje, a realidade é bem diferente e o móvel fabricado em Portugal não fica a dever nada aos melhores do Mundo.
A questão logística - para todos os efeitos somos um país periférico na Europa - é, no entanto, alvo de preocupação por parte da APIMA, apostada em derrubar barreiras e contornar obstáculos que impeçam o normal crescimento da indústria portuguesa. Rui Ramos admite que "a feira de Moscovo constitui um desafio à capacidade organizativa da APIMA, o que a Associação encara com seriedade e profissionalismo", consciente de que no mercado concorrencial de hoje são os pequenos detalhes que fazem as grandes diferenças. |