Cerca de uma dezena de empresas portuguesas serviram de ponta-de-lança da indústria nacional durante a recentemente realizada Feira do Móvel de Moscovo, com o objectivo de aumentar em 25% as exportações para aquele país.
Tratou-se da primeira experiência concertada da indústria portuguesa neste mercado, tradicionalmente considerado como de difícil penetração, devido às enormes barreiras burocráticas e de confiança.
A presença portuguesa, que se deveu à acção da APIMA - Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins -, enquadra-se num plano de internacionalização promovido em colaboração com o ICEP e que prevê participações colectivas em algumas das maiores feiras mundiais do sector. Neste âmbito, França, principal importador de mobiliário fabricado em Portugal, assim como Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido e Emirados Arabes Unidos fazem igualmente parte da rota habitual das empresas portuguesas nos seus esforços de conquista de mercados além fronteiras.
Em Moscovo, os representantes portugueses foram colocados no pavilhão Manezh, o mais nobre do certame e habitualmente destinado à elite mundial do mobiliário.
Para o secretário-geral da APIMA, Rui Ramos, "a participação nacional foi coroada de sucesso e a própria organização da feira distinguiu os nossos representantes pelo seu profissionalismo e forma de trabalhar", o que, na sua opinião, "confere à Associação um maior poder negocial para a melhoria da localização das empresas que assim o entenderem, numa próxima participação "
O êxito que as empresas portuguesas conheceram durante o certame permitiu reforçar as expectativas de um crescimento de 2% do valor das exportações para a Rússia, no curso do próximo ano.
De facto, Rui Ramos salienta que “o mercado apresenta uma excelente relação qualidade/preço, que é extremamente favorável a Portugal, especialmente quando comparada com países como a Itália e a Espanha.
"Nos últimos anos, o móvel fabricado em Portugal tem conquistado notoriedade, uma vez que à qualidade de fabrico e das matérias-primas utilizados somou o valor acrescentado de um design actual que não fica a dever nada ao dos países que definem as tendências mundiais.
O secretário-geral da APIMA realça a curiosidade de, "no decorrer da feira, algumas empresas terem podido subir as tabelas de preços cerca de 50% , tal a receptividade que o produto português teve".
Estes dados permitem encarar com optimismo o crescimento do sector, que no ano passado ultrapassou a barreira psicológica de exportar mais de metade do que produz. Por outro lado, a balança comercial também é favorável em 320 milhões de euros.
Para Rui Ramos, o aumento das exportações de mobiliário português e o saldo positivo na balança comercial devem-se, entre outros factores, "à aposta na internacionalização das empresas nacionais, programa que é liderado pela APIMA".
O responsável associativo acrescenta que "aumentar as exportações em 15,7% no ano passado, quando se vivia já uma conjuntura económica mundial de recessão, é a prova de que o plano de participações colectivas está a ser encarado com seriedade e já começou a dar frutos. |