A indústria portuguesa de mobiliário está gradualmente a superar a crise e, depois de ter fechado o ano de 2004 com um aumento de 32 por cento nas suas exportações, tem vindo a ganhar mais espaço no mercado mundial. Prova disso mesmo é a forte presença na Feira Internacional do Móvel de Valência (Espanha), que termina amanhã, onde Portugal tem a segunda maior delegação estrangeira, com um total de 60 expositores. "Esta feira é a mais representativa do mobiliário português e sabemos que a visitam compradores de todo o mundo. E como já exportamos 52 por cento do total da nossa produção, esta feira ganha ainda mais peso", explicou Jorge Brito, presidente da Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA). Com um investimento na ordem dos 1,5 milhões de euros (aluguer do espaço, transporte), as seis dezenas de empresas nacionais poderão esperar um aumento no volume de negócios na casa dos dez por cento, como consequência da presença na feira. "Já há empresas que não se preocupam tanto com o que vendem na feira, mas sim com o resultado posterior", disse Rui Ramos, secretário-geral da APIMA. Os cálculos da associação revelam que o investimento feito em cada edição de um evento como este "tem de resultar num retorno de cinco vezes mais, caso contrário não é rentável". Mas não se pense que os efeitos são imediatos: "No primeiro ano, não se podem esperar milagres. O retorno só acontece a partir do segundo ou terceiro anos." Como ferramenta de auxílio à promoção do sector, os industriais contam com a parceria do ICEP (Instituto do Comércio Externo Português). Essa colaboração deverá fazer com que a balança comercial da representação portuguesa em Valência suba no médio prazo. Talvez por isso, adianta Rui Ramos, "há uma lista de espera" de empresas nacionais para entrar na feira, mas a limitação do espaço impede o aumento de participantes. De momento, a APIMA dispõe de cinco milhões de euros para participação em feiras, a próxima das quais vai decorrer em Novembro, em Moscovo (Rússia). "Há lá uma elevada percentagem de pessoas com grande poder de compra", disse Jorge Brito. Serão nove empresas, que ocuparão uma área de 540 metros quadrados - cada metro quadrado é pago a 500 euros. Na semana passada, uma delegação portuguesa visitou a China, na condição de observadora. Jorge Brito considera que os empresários nacionais não devem temer o gigante asiático e, assim, continuar a apostar de forma crescente na qualidade.
* O PÚBLICO viajou a convite da APIMA
Exportações - Empresas lusas triplicaram vendas no mercado espanhol nos últimos cinco anos Mobiliário português invade Espanha, explora a Rússia e tem a China na mira (Rui Neves)
Século novo, vida nova. Com uma estrutura empresarial deficiente, fixada quase exclusivamente no estilo clássico e num mercado inverno em crise, o sector de mobiliário vivia tempos difíceis nos finais dos anos 90. A balança comercial tinha entrado em terreno negativo, com Espanha a invadir o mercado nacional com design, preços e qualidade atractivos.
As empresas nacionais mais bem preparadas aprenderas rapidamente a lição: reorganizaram a indústria, viraram-se para os mercadas externos, apostando em linhas modernas, com maior flexibilidade de produção, e participando em feiras internacionais. Resultado: em 2000 a balança comercial voltou a ser positiva. Melhor: em cinco anos duplicou as exportações para 768 milhões de euros em 2004 e passou a exportar mais de metade da produção.
Espanha deixou de ser vista como uma ameaça, passado a alternar com a França como melhor destino das nossas exportações. Neste período, as vendas de mobiliária português no mercado espanhol quase triplicaram, ficando-se nos 253,5 milhões de euros em 2004. Ao invés, a sector espanhol está em declínio, tendo em 2004 apresentado um saldo negativo de 261 milhões de euros, enquanto Portugal, que conta com cerca de 120 empresas exportadoras de mobiliário, apresentava 320 milhões de euros positivos.
O poderio do mobiliário português está em evidência na Feira Internacional do Móvel (FIM), de iluminação e decoração, que termina tio próximo domingo, na cidade espanhola de Valência. Trata-se do segundo maior certame europeu do sector, a seguir a Milão, assumindo-se como uma autêntica placa giratória de profissionais de todo o mundo. Portugal tem a segunda maior delegação estrangeira presente n feira, a seguir à italiana, com mais de seis dezenas de empresas nacionais. A maior parte das empresas participam no âmbito do programa Promob, promovido pelas associações de mobiliário (APIMA) e iluminação (AIPI) em parceria com o lcep.
De acordo com dirigentes associativos, o impacto desta feira das vendas das empresas nacionais ronda, na média, os 10% , enquanto o retorno do investimento global de 1,5 milhões de euros na FIM "terá que ser multiplicado por cinco".
Em apenas três anos, o sector duplicou a sua presença para oito feiras internacionais (Milão, Madrid, Paris, Valência, Birmingham, Colónia e Dubai). A próxima aposta tem como destino a feira de Moscovo, na Rússia, cm Novembro, onde vão estar nove industriais nacionais.
Orçado em cinco milhões de euros (60% de comparticipação estatal), o actual Promob (2005/06) não inclui a China, onde a APIMA liderou recentemente uma missão de 14 industriais para avaliar a situação e visitar a feira líder no sector no continente asiático. "A China está a subir os seus preços em cerca de 30%, fruto de uma procura intensa. São excelentes notícias", regozijou-se o presidente da APlMA, Jorge Brito, considerando que a feira chinesa poderá vir a servir de plataforma de promoção do mobiliário português. |