A associação tem desenvolvido trabalho meritório no capítulo da internacionalização das empresas portuguesas e o seu trabalho começa a dar resultados concretos: embora os números relativos ao último semestre do ano passado não tenham ainda sido divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, na primeira metade de 2004 Portugal já tinha exportado mais de 85% do valor total das exportações do ano anterior. Tendo em conta que, segundo o Eurostat, as exportações representam cerca de 52% da produção nacional, é de esperar que o ano de 2004 apresente um aumento considerável neste campo.
As feiras de mobiliário de Milão e de Madrid integram um calendário de oito certames internacionais escolhidos pela APIMA para promover o móvel português no estrangeiro. Valência, Birmingham, Dubai, Paris e novamente Madrid, para duas feiras no âmbito da decoração, completam o lote, que aumentou 100 % relativamente ao passado. Para o secretário-geral da APIMA, Rui Ramos, "o aumento de quatro para oito feiras vem responder a necessidade de aumentar a penetração do produto português no mercado mundial."
O líder associativo mostra-se particularmente feliz com as perspectivas criadas em redor da participação de Portugal na feira de Madrid, onde estarão presentes cerca de três dezenas de empresas, naquela que será a maior representação de sempre da indústria portuguesa de mobiliário em certames internacionais. "Espanha é o destino privilegiado para o mobiliário português, sendo responsável por 36% das nossas exportações e como se trata de um mercado em crescimento existe um clima de optimismo face a esta numerosa participação".
De facto, Espanha é um do: países onde se espera um aumento na procura de mobiliário, a par da Itália, Rússia, Hungria,Reino Unido e da própria Irlanda, o que explica as apostas da APIMA quanto à escolha das feiras. Em Espanha, por exemplo, o clima de confiança é largamente favorável, e segundo um estudo recentemente efectuado, 40% das pessoas encara o futuro com optimismo naquele país. Estes números contrastam com Portugal, onde 67% das pessoas está pessimista.
Se é certo que as feiras são, cada vez menos sinónimo de vendas imediatas, sendo antes actos de relações públicas e de familiarização com os respectivos mercados, é de crer que a representação portuguesa encontre no estrangeiro fôlego para fazer face a uma situação interna de estagnação. Rui Ramos defende que é "absolutamente necessário que as empresas portuguesas despertem para a necessidade de se internacionalizarem, apostando em produtos diferenciados, uma vez que não podemos competir com produções em larga escala".
O secretário-geral da APIMA acrescenta que optar pela qualidade é a única solução para a indústria nacional poder contrariar com sucesso o fenómeno que também no sector do mobiliário é corporizado pelos países asiáticos. |