A delegação portuguesa, que será liderada pela Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA), aproveitará para visitar a XI Furniture China, certame que reúne mais de mil e duzentos expositores numa área de 200 mil metros quadrados, dando forma à feira líder no sector no continente asiático.
A China é o gigante mundial no fabrico de mobiliário: 50 mil fábricas dão emprego a cinco milhões de pessoas. Em 2003, o valor da produção alcançou os 24,6 biliões de dólares, sendo que um terço deste valor diz respeito às exportações, que aumentaram 30 por cento, nos últimos três anos. No primeiro trimestre de 2005, registaram se exportações de mobiliário no valor de 3,13 biliões de dólares, mais 34,26 por cento do que em igual período do ano passado.
O presidente da APIMA, Jorge de Brito, admite que "é difícil inverter a situação, depois da Ásia se dotar de equipamento que lhe permite grandes produções que deixam a Europa condenada a dirigir o seu fabrico para nichos de mercado muito bem definidos". O líder associativo defende, no entanto, que a União Europeia deve trabalhar no sentido de se atingir um equilíbrio com as condições de trabalho na Ásia que leve a uma justiça social uniforme ou mais aproximada com o Ocidente. '
Mas o "perigo asiático" verifica se quase exclusivamente em móveis soltos ou de pequena dimensão porque o peso e a volumetria desses móveis permitem a sua fácil exportação, o que não acontece com móveis grandes e pesados.
Por outro lado, como a produção da Ásia, está vocacionada para o fabrico em série, logo de gama mais baixa, é convicção da APIMA que Portugal pode exportar móveis de gama alta e de grande valor acrescentado para aquela região do Globo.
O secretário geral da Associação, Rui Ramos, defende que a "missão tem vários objectivos, a sendo que o mais imediato é a análise do tipo de móvel fabricado na China e do seu grau de qualidade, estando no horizonte a possibilidade de uma participação colectiva da indústria portuguesa em próximas edições da feira". A identificação de potenciais parceiros com quem a indústria portuguesa possa iniciar relações comerciais, com vista à exportação de mobiliário fabricado em Portugal é outro objectivo. Rui Ramos relembra que o nosso país tem assumido um protagonismo crescente no panorama mundial do sector.
"Portugal tem uma balança comercial positiva, porque exporta mais mobiliário do que aquele que importa e, no ano passado, atingiu se uma meta importante, porque exportámos mais de metade do mobiliário que fabricamos".
De facto, Portugal aumentou as exportações em 111 milhões de euros, de 2003 para 2004, registando a quarta maior variação positiva entre os países europeus e tornando se no décimo quarto maior exportador de mobiliário da Europa.
Estes resultados aparecem como consequência do programa de internacionalização que está a ser seguido pela indústria portuguesa e que é da responsabilidade do ICEP, em parceria coma APIMA. |