Portugal exporta actualmente metade do que fabrica”, frisou o presidente da Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliários e Afins (APIMA) em conferência de imprensa no Porto, referindo o sector como um “exemplo de sucesso” de vendas no estrangeiro. Em 2004, a indústria de mobiliário portuguesa produziu 1,45 mil milhões de euros e exportou 765 milhões de euros, aumentando 15,3% relativamente a 2003, a quarta melhor subida no conjunto dos 25 países da União Europeia (UE). Com um saldo positivo de 320 milhões de euros, Portugal é actualmente o sexto país da UE com a me-lhor balança comercial, numa tabela liderada pela Itália (com um saldo de 7,34 mil milhões de euros), Polónia, Dinamarca, Eslovénia e República Checa. “São resultados muito interessantes no contexto da nossa economia e tendo em conta que, até há bem pouco tempo a nossa capacidade produtiva era baixa”, considerou Jorge Brito. Segundo o responsável, contribuíram para estes resultados um conjunto de “uma centena de empresas”, num universo de 4000 que integram o sector (2500 se se considerar as empresas com mais de 10 trabalhadores), 70% das quais localizadas em Paços de Ferreira, Paredes e Rebordosa. Os principais mercados de destino da indústria portuguesa de mobiliário são França com 37%, Espanha com 33% e a Suécia com 7%, mas também Alemanha, Angola, Reino Unido, Áustria e mercados Árabes. Este ano, a APIMA pretende “entrar em força” no mercado russo, país que considera ter “um grande potencial de vendas” para o sector. Para Jorge Brito, o ‘boom’ das exportações portuguesas aconteceu nos últimos anos graças à aposta que algumas empresas fizeram ao nível da reestruturação dos equipamentos, da formação dos profissionais e da abertura aos mercados internacionais. “Já conseguimos a aceitação do produto português nos mercados internacionais como produto de qualidade, agora temos que nos manter e procurar não perder a competitividade, apostando no design”, considerou o presidente da APIMA. “Temos produto de qualidade em Portugal”, frisou o responsável, admitindo contudo que ao nível interno as “coisas estão menos bem” e que neste processo, “muitas empresas” de pequena dimensão vão “ficar pelo caminho”. De acordo com o responsável, ao nível da abertura aos mercados internacionais, a participação em feiras foi “fundamental” para o crescimento das exportações portuguesas de mobiliário. Por isso, afirmou, depois da participação em certames em Espanha (Madrid e Valência), França, Reino Unido, Dubai e Itália, a APIMA vai este ano estar pela primeira vez numa feira na Rússia, com nove empresas portuguesas. Esta semana, adiantou Jorge Brito, a associação e alguns empresários do sector rumarão numa missão empresarial à China, país que, mais do que uma “ameaça” para a indústria portuguesa, pode constituir-se numa “oportunidade” para aumentar a base exportadora portuguesa. De acordo com o secretário-geral da APIMA, também presente na conferência de imprensa, para o mercado português, na China, “qualquer quota de 0,1% é um negócio excelente”. Por isso, acrescentou Rui Brito, nos próximos dias a associação irá avaliar e analisar o mercado chinês ‘in loco’ para verificar quais as oportunidades concretas naquele país para a indústria portuguesa de mobiliário, e também “que tipo de ameaças” a China pode significar para Portugal. |