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Indústria da serração perdeu 6500 empregos
Data: 15/09/2005
Autor: Ilídia Pinto
Fonte: Diário de Noticias
As indústrias da fileira de madeira querem que o Governo declare o sector em crise, concedendo apoios especiais ou majorando incentivos, a exemplo do que já fez noutras ocasiões para o têxtil ou o vidro. Portugal perdeu, nos últimos seis anos, metade das suas serrações por falta de matéria-prima, ou seja, 300 empresas, o que fez desaparecer 6500 postos de trabalho e diminuir para metade as exportações deste subsector (15%). Em 1999, a indústria de serrações era composta por 600 empresas, 11 mil trabalhadores e exportava 30% da produção.

De acordo com os números divulgados pela Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP), o sector do mobiliário perdeu no mesmo período 1100 empresas e 7000 postos de trabalho, contando hoje com 2500 empresas e 34 mil trabalhadores. O balanço não é, no entanto, tão negativo porque a indústria do mobiliário pode recorrer à importação de madeira para sobreviver. "A manter-se o ritmo dos incêndios e a falta de investimento na florestação, a médio prazo, o sector industrial de primeira transformação deixará de ter razão de ser em Portugal porque não terá matéria-prima para trabalhar", afirmou ao DN Ernesto Romano, director-geral da AIMMP.

Hoje produtores florestais e empresários da fileira florestal - cortiça, celulose e madeiras - reúnem-se em Leiria para debater o estado da floresta nacional e reclamar do Governo "um investimento eficaz" numa "gestão sustentável" deste recurso natural. A esperança é a de que consigam "inverter a tendência actual de destruição da floresta portuguesa" e o objectivo é o de que, em conjunto, tracem um Plano de Acção Para Gestão Sustentada da Fileira Florestal, numa perspectiva de médio prazo mas que inclua também medidas de apoio imediatas. "Há serrações a fechar todos os dias. Não estão em condições de esperar 20 ou 30 anos que é o tempo necessário até que a floresta portuguesa volte a ser sustentável", sublinha Ernesto Romano.

Propositadamente, não foram convidadas quaisquer entidades políticas ou governativas para este encontro. "É uma jornada de trabalho dos industriais para ouvir os seus contributos para que o sector saia da crise em que está mergulhado por força da falta de matéria-prima", explica.

O director-geral da AIMMP garante que o factor matéria-prima não é o único responsável pela falta de competitividade da fileira da madeira mas é um "elemento determinante". "Por mais diferenciada que seja a tecnologia, o processo ou os mercados, a competitividade das serrações está intimamente dependente do preço da aquisição da matéria-prima, que corresponde a 65% dos custos de produção. O sector está velho e incapaz de libertar meios para investir", sustenta. Razões porque exige a declaração de sector em crise, com as correspondentes ajudas.